quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Nefastus

Angústia que me consome
Ódio que me distrai (ou distrói?)
A beleza no nefasto
Os sentimentos de escárnio
A raiva por puro prazer,
por gostar de fazer sofrer,
por sofrer pelo simples viver.

Vida vagabunda, prostituta, bandida
Se hoje sou a fera ferida,
amanhã serei o caçador a comer

Ilusões, ah ilusões...
fogo que alimenta a solidão,
véu de mentiras verdadeiras,
alimento de uma alma vazia
Ah, como eu queria...

Queria apenas viver
sem um dia sofrer,
sem me deparar com o horror
que encontro em mim;

O atoleiro da alegria, do
divertimento e do amor.
É, sou feito de dor,
da dor de ter de viver...
Seria preferível morrer?

Não, é melhor saborear o
sentimento perverso que me consome
e tentar fazer da vida um
carossel de emoções,
funestas ou não, temíveis ou não.
Tragar o fel e viver: sobreviver.

Só assim este castigo
valerá algum vintém,
pois é preferível ser perverso
do que ser pequeno.

Ódio, fétido ódio,
me alimente, por favor.