segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Meu Porto Seguro

Que estranha loucura é essa que sempre me leva a você?
Que ventos são esses que me carregam pra junto de você?
Que ânsia é essa por um beijo que há muito não posso provar?
Por que, não importam quantas voltas a vida dê, não consigo deixar de pensar?

Que estranho sentimento, tão cheio de complexidade é esse?
Vem aqui, me explica o amor!
Por que me afasto se sempre volto pra você,
E o seu beijo tem sempre o mesmo sabor?

Pode não ser o melhor, mas é o da gente
Pode não ser uma fogueira, mas é a brasa que me aquece no verão
Pode até ser planejado, mas é inconsequente
Pode não ser de desejo, mas é o que guardo no meu coração

Por que, me diga, por que não consigo me agarrar a você?
Se sempre que tento fugir você me encontra e me faz sorrir
Será falta de comprometimento ou medo do que seja o amor?
Não ligue, meu bem, pois serei sua eternamente,
não importa o quão tortuosos sejam nossos caminhos,
e nem por onde eu for
Pois é você quem eu sempre amei,
foi você que me ensinou o amor.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Nefastus

Angústia que me consome
Ódio que me distrai (ou distrói?)
A beleza no nefasto
Os sentimentos de escárnio
A raiva por puro prazer,
por gostar de fazer sofrer,
por sofrer pelo simples viver.

Vida vagabunda, prostituta, bandida
Se hoje sou a fera ferida,
amanhã serei o caçador a comer

Ilusões, ah ilusões...
fogo que alimenta a solidão,
véu de mentiras verdadeiras,
alimento de uma alma vazia
Ah, como eu queria...

Queria apenas viver
sem um dia sofrer,
sem me deparar com o horror
que encontro em mim;

O atoleiro da alegria, do
divertimento e do amor.
É, sou feito de dor,
da dor de ter de viver...
Seria preferível morrer?

Não, é melhor saborear o
sentimento perverso que me consome
e tentar fazer da vida um
carossel de emoções,
funestas ou não, temíveis ou não.
Tragar o fel e viver: sobreviver.

Só assim este castigo
valerá algum vintém,
pois é preferível ser perverso
do que ser pequeno.

Ódio, fétido ódio,
me alimente, por favor.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Passado Amor

Lembro-me de ti e me sinto forte
Percebo que não estás mais aqui
e me entristeço.

Ouço nossa música e começo a cantar,
mas choro quando acaba a melodia
e com ela a nossa história.

Sonho tão bonito me permitiste sonhar,
Fel tão puro me fazes provar
Por que me fazer tão feliz se
um dia seria assim?

Hoje percebo: és um grande mentiroso,
Sou uma grande idiota,
Fomos uma grande ilusão.

Metalinguística da Liberdade

Minha poesia não serve para enfeitar,

Minha poesia não serve para instruir,

Minha poesia não serve para musicar,

Minha poesia não serve para fazer
chorar ou sorrir,

Minha poesia não serve para se estudar,

pois minha poesia não conhece o verbo servir.

Minha poesia não serve, liberta!



Minha chuva



Choro por dentro
e a chuva que cai lá fora
parece querer me acompanhar.
Num dia de profunda tristeza,
a natureza reflete meu ser
como o espelho mais perfeito que existe





Choro de dor, do medo de te perder.
Um choro angustiado, desesperado,
um choro de amor; do mais profundo
sentimento que eu poderia ter.
Real como a chuva e eterno como
o calor do sol.


A natureza chora comigo,
entende tudo que se passa dentro de mim.
Chora pela dor da perda que virá,
avisa que está com medo das mudanças
que estão a acontecer, e teima em
continuar no mesmo lugar; chovendo, chorando.


E aqui fico eu: sofrendo, lembrando.
Acompanhada pela sinfonia da natureza,
mas tentando acreditar que em mim há um sol.
Ilusões, ilusões...Como adiar o inevitável?
Só me resta então continuar aqui; chorando, chovendo.

Declaração de Bens

(AUTOR DESCONHECIDO)

"O pai moderno, muitas vezes perplexo, aflito, angustiado, passa a vida inteira correndo atrás do futuro e se esquecendo do agora. Na luta para edificar este futuro, ele renuncia ao presente. Por isso, é um homem ocupado, sem tempo para os filhos, envolvido em mil atividades – tudo com o objetivo de garantir o seu amanhã.
E com que prazer e orgulho, cada ano, ele preenche sua declaração de bens para o Imposto de Renda. Cada nova linha acrescida foi produto de muito esforço, muito trabalho. Lote, casa, apartamento, sítio - tudo isso custou dias, semanas, meses de luta. Mas ele está sedimentando o futuro de sua família. Se ele parte um dia, por qualquer motivo, já cumpriu sua missão e não vai deixar ninguém desamparado.
E para ir escrevendo cada vez mais linhas na sua relação de bens, ele não se contenta com um emprego só - é preciso ter dois ou três; vender parte das férias, em vez de descansar junto à família; levar serviço para fazer em casa, em vez de ficar com os filhos; e é um tal de viajar, almoçar fora, discutir negócios, marcar reuniões, preencher a agenda - afinal, ele é um executivo dinâmico, faz parte do mundo competitivo, não pode fraquejar.
No entanto, esse homem se esquece de que a verdadeira declaração de bens, o valor mais alto, aquele que efetivamente conta, está em outra página do formulário do Imposto de Renda - mais precisamente, naquelas modestas linhas, quase escondidas, onde se lê "relação dos dependentes". Aqueles que dependem dele, os filhos que ele colocou no mundo, e a quem deve dedicar o melhor de seu tempo.
Os filhos são novos demais, não estão interessados em lotes, casas, salas para alugar, aumento de renda bruta - nada disso. Eles só querem um pai com quem possam conviver, dialogar, brincar.
Os anos vão passando, os meninos vão crescendo, e o pai nem percebe, porque se entregou de tal forma ao trabalho - vulgo construção do futuro - que não viveu com eles, não participou de suas pequenas alegrias, não os levou ou buscou no colégio, nunca foi a uma festa infantil, não teve tempo para assistir a coroação da menina - pois um executivo não deve desviar sua atenção para essas bobagens. São coisas de desocupados.
Há filhos órfãos de pais vivos, porque estão "entregues" - o pai para um lado, a mãe para o outro, e a família desintegrada, sem amor, sem diálogo, sem convivência. E é esta convivência que solidifica a fraternidade entre os irmãos, abre seu coração, elimina problemas, resolve as coisas na base do entendimento.
Há irmãos crescendo como verdadeiros estranhos, porque correm de um lado para o outro o dia inteiro - ginástica, natação, judô, balé, aula de música, curso de Inglês, terapia, lição de piano, etc. - e só se encontram de passagem em casa, um chegando, o outro saindo. Não vivem juntos, não saem juntos, não conversam - e, para ver os pais, quase é preciso marcar hora.
Depois de uma dramática experiência pessoal e familiar vivida, a única mensagem que tenho para dar - e que tem sido repetida exaustivamente em paróquias, encontros familiares, movimentos e entidades - é esta: não há tempo melhor aplicado do que aquele destinado aos filhos.
Dos 18 anos de casado, passei 15 anos correndo e trabalhando, absorvido por muitas tarefas, envolvido em várias ocupações, totalmente entregue a um objetivo único e prioritário : construir o futuro para três filhos e minha mulher. Isso me custou longos afastamentos de casa, viagens, estágios, cursos, plantões no jornal, madrugadas no estúdio da televisão, uma vida sempre agitada, atarefada, tormentosa, e apaixonante na dedicação à profissão escolhida - e que foi, na verdade, mais importante do que minha família.
E agora, aqui estou eu, de mãos cheias e de coração aberto, diante de todos vocês, que me conhecem muito bem. Aqui está o resultado de tanto esforço: construí o futuro, penosamente, e não sei o que fazer com ele, depois da perda do Luiz Otávio.
De que valem casa, carros, sala, lote, e tudo o mais que foi possível juntar nesses anos todos de esforço, se ele não está mais aqui para aproveitar isso com a gente?
Se o resultado de 30 anos de trabalho fosse consumido agora por um incêndio, e desses bens todos não restasse nada mais do que cinzas, isso não teria a menor importância, não ia provocar o menor abalo em nossa vida, porque a escala de valores mudou, e o dinheiro passou a ter um peso mínimo e relativo em tudo.
Se o dinheiro não foi capaz de comprar a cura e a saúde de um filho amado, para que serve ele? Para ser escravo dele?

Eu trocaria - explodindo de felicidade - todas as linhas da declaração de bens por uma única linha que eu tive de retirar, do outro lado da folha: o nome do meu filho na relação dos dependentes. E como me doeu retirar essa linha na declaração de 1983, ano base de 82."

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Esse texto me chegou via e-mail e eu achei muito interessante e fidedigno. É um bom lembrete de que a vida não é só o material, mas o afetivo e espiritual também. Não se esqueça de sentir e mostrar o seu amor! Não há nada melhor do que um passeio em família, com várias risadas, abraços, beijos e carinhos.
No mundo moderno, demonstrar o afeto, seja com afagos, poesias, flores ou com um simples "eu te amo" se faz necessário, pois tudo é muito superficial, efêmero e banalizado: para muitos a vida perdeu seu valor e, de quebra, seus valores. Enfim; sinta, beije, grite, chore, ame, pule, cante, diga eu te amo, dê um abraço, faça um carinho em alguém especial, DEMONSTRE SEU AMOR, pois só assim você se sentirá completo e completará alguém do seu jeito, um jeitinho bom que é só seu e que, com certeza deixará uma marca. Esqueça o capital e viva como se não houvesse amanhã!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Mistério



Os pensamentos entram em minha mente
Como gotas de chuva batendo no mar
Fortes, estridentes e incontroláveis,
como ondas revoltas incidindo sobre a rocha
até conseguir rachá-la, furá-la e adentrar por seus
tortuosos caminhos de dor, alegria, tristeza e amor

Sim, AMOR... esse sentimento tão profundo
que traz tanto a felicidade quanto a dor...
Que ao mesmo tempo fere e cura a outra ferida,
que arrasa corações apaixonados e perdidos
no meio da escuridão dos mais profundos pensamentos

Pensamentos... O que são afinal?
Palavras escritas na cabeça por obra da mente?
Avisos da alma incandescente?
Ou seriam informações básicas do conceito VIDA?
Este é um questionamento muito difícil de ser respondido...

Os pensamentos são frases ouvidas, sentidas,
escritas pela consciência;
Mas podem ser também peças que o coração nos prega,
dúvidas e medos do subconsciente se materializando
em forma de palavras que denotam todos os sentimentos
que estão dentro de nós.

Ou seja, são manifestações da alma e, por conseqüência,
do próprio ser pensante. Enfim, são a conseqüência
da tão aprimorada, estudada e desenvolvida
RACIONALIDADE HUMANA.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A um amigo.

Minha paixão, meu amor
meu amigo seja como for
aqui estarei, para caminhar com você
e nas horas tristes e obscuras
pegar a tua mão e encontrar o amanhecer.

Na tristeza ou na alegria,
na felicidade ou na dor,
amigo, aqui sempre estarei,
pois é teu o meu eterno amor.

Nesses versos tão medíocres
não consigo explicar
o valor da tua amizade,
que para mim sempre será
um tesouro, um presente, um refúgio...
Enfim, TE AMO!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Hécate

Sendo uma, me divido
Sinto uma sombra ao meu redor
um medo, uma insegurança;
desafio cada dia maior

Um oráculo a minha frente
me ilumina e me angustia:
de um lado três cabeças, e
do outro um cajado.
Como ilesa sairei
desta horrível encruzilhada?

E na noite, escuridão,
eis que brilha a verdade
algo me diz que é muito simples,
mas de imprescindível coragem

Basta apenas se encontrar,
parar e refletir,
me desligar de todo o mundo,
reaprender a sorrir; e, ao final,
é em minh'alma que a resposta encontrarei,
pois é dentro de mim que plenamente sou.



Desejo

Haviam se passado muitos dias desde o terrível acontecimento, mas eu já estava tranqüilo e despreocupado, quando de repente a vi. Aquela mulher que foi o meu mundo, a minha vida, aquela que me levou ao céu e ao inferno passava diante de mim como se nada tivesse acontecido, como se eu não valesse nada. Surpresa. O destino quis deste homem as últimas lágrimas e suspiros de amor. A visão daquela mulher reacendeu todo o sentimento que havia em mim desde a adolescência, desde a Era da Felicidade. Como ela desfilava assim? Com toda essa graça e leveza num reles mercadinho de esquina? Ela é muito superior a todos daqui, isso é um fato. Mas tenho que me controlar... sou um homem racional ou um animal que não controla os seus instintos?

Saí do mercado e me dirigi ao meu refúgio, meu canto de serenidade e paz, único lugar em que me senti seguro depois daquilo, mas neste exato momento a última coisa que tenho é paz. Não consigo dormir, não consigo comer, não consigo pensar, a única coisa que vejo é a figura dessa sereia em minha mente. Quem sabe uma boa leitura poderá me salvar das garras dessa Cleópatra das Américas, dona de curvas inigualáveis e seios de Vênus?
Merda! De todos os livros da minha pequena coleção me tinha de tirar justamente este? Exatamente este maldito livro que já me ajudou tantas vezes antes... será que poderia salvar-me desta vez, como outrora?
Deslizo a mão sobre a capa como lembrando dos afagos dela, cada ponto de tinta daquele livro é uma transa descomedidamente tórpida e sensual, cheia de amor, cheia de ódio, cheia de paradoxos e desejos efervescentes em meu ser. Sem abrir os olhos, ainda lembrando das noites de amor, abro o livro e escolho uma página. O que será que Zeus reservou para mim? Ahh, sim. Lembro-me bem dessa passagem, meu pai já havia me falado dela muito tempo antes, quando eu era apenas um garoto. Neste livro sobre como "apimentar" relações, tinha um capítulo só para casados, que por sinal, eu ainda não havia lido. E no capítulo sobre como sair da rotina foi exatamente onde pus os olhos, receoso sobre o mal que me faria só por ler a palavra casamento. Seguiam-se os conselhos:
Pegue sua mulher de surpresa, leve-a para jantar à luz de velas e depois a conduza até uma câmara nupcial para despi-la com o tocar dos lábios úmidos de paixão e desejo...
Penetre-a com toda fugacidade do seu amor e faça-a sentir mulher como na primeira vez em que ela lhe banhou com as águas do seu prazer. Faça-a se esquecer dos problemas, das angústias, das brigas e injúrias displicentes e, ao final, quando ela se esquecer até de que é mãe e perder totalmente o pudor, declame todo o seu amor e paixão e lambuze-se com a felicidade de um relacionamento completo.

Deixar-se levar pelos sentimentos pode ser cruel, mas também um conto de fadas...
Voraz, ó noite selvagem! A solidão me consome o fundo d`alma!
O que eu não daria para tocá-la de novo? O quão doce e instigante é o cheiro daquela mulher...
Que faço, meu Deus? Como voltar a dormir sem o seu corpo junto ao meu? Como não morrer de desejo e encontrá-la nos sonhos para realizar meus mais sórdidos fetiches? Como conseguir voltar ao estado normal da fisiologia se não consigo tirá-la da cabeça?

Foi então que me decidi; saí do quarto de hotel e fui correndo de volta pra casa.
Perdoa-me esposa, perdoa-me, por favor...